terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Regularidades do sistema de numeração decimal

Objetivos


- Dispor de um instrumento que permita ler e escrever números que ainda não aprenderam a escrever de memória;

- Construir uma boa imagem mental da série numérica, de sua organização e de suas regularidades e considerar que a série de números se prolonga até onde quiser;

- Estabelecer relações de maior e menor entre os números, conforme um "vem antes" ou "vem depois" do outro na série numérica.


Conteúdos

- Quantidade de algarismos dos números

- Regularidades do sistema de numeração decimal

- Numeração escrita e numeração falada

- Série numérica



Ano: 2º ano

Tempo estimado: 3 aulas

Desenvolvimento das atividades

1ª aula: Números de dois algarismos

Solicite a solução das seguintes atividades:
1. Observe o números abaixo:

QUARENTA E UM: 41 SESSENTA E TRÊS: 63 CINQUENTA E OITO: 58

Quantos algarismos tem cada número? _________

2. Escreva outros números que você conhece com dois algarismos:

_________    _________    _________    _________    _________

3. Pinte todos os números de dois algarismos do quadro abaixo:


- Qual é o menor número de dois algarismos? _______


- Qual é o maior número de dois algarismos? __________


 
2ª aula: Analisando o quadro numérico


Prepare um quadro numérico de 1 a 60, com alguns números "em lugar errado". Peça para que os alunos descubram os "intrusos", pintando esses números.


3ª aula: Jogo "Detetive de Números"


Apresente o jogo para os alunos, explicando que você vai escolher um número do quadro numérico e eles deverão fazer perguntas para descobrir o número escolhido.



Esclareça que você só pode responder "sim" ou "não". Assim, eles devem fazer perguntas do tipo "o número é menor que 30?".

Se você notar que algum aluno parece "perdido" e não está participando, entregue um quadro numérico para ele usar como referência.

Continue o jogo, escolhendo os alunos para pensar no número misterioso.

Avaliação


Observe a participação de cada aluno. Registre os conhecimentos e as dificuldades que apresentam no início da sequência didática e compare com o desempenho demonstrado no final da 3ª aula.

Fonte: Revista Nova Escola

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Como calcular o número do seu sapato?

A regra


f (n) = (5n + 28)/4

dá o número do sapato, f (n), de uma pessoa em função do comprimento (em centímetros), n , de seu pé. Por exemplo, se seu pé mede 25 cm, então o número do "seu sapato" é f (25) = (5 x 25 + 28)/4 = (125 + 28)/4 = 153/4 , que é aproximadamente igual a 38,22. Neste caso, o número do seu sapato é 38.



Por outro lado,

g(m) = (4m - 28)/5

dá o comprimento (em centímetros) aproximado do seu pé em função do número m do seu sapato. Por exemplo, uma pessoa que calça 39, tem um pé que mede, aproximadamente, 25,6 cm, pois


g(39) = (4 x 39 - 28)/5 = (156 - 28)/5 = 128/5 = 25,6.


Que coisa, não?!

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

2010

Bem-vindos a 2010.

Este ano é regido por Vênus, a Deusa do amor, da sofisticação e da inteligência.



Portanto, vamos fazer desse ano um momento de muito amor, mais do que o comum, muita luz e muita qualidade em tudo aquilo que fazemos.

Tenham todos um excelente 2010.

Aguardem novidades.

Um abraço

._

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

FELIZ NATAL

A equipe da Casa da Matemática deseja a todos um Feliz Natal e um excelente Ano Novo repleto de paz, saúde e muito amor.


terça-feira, 1 de dezembro de 2009

NÚMERO PRIMO

Definição. Um número primo é um número natural cujos únicos divisores positivos distintos são a unidade e ele mesmo. Chama-se número composto um inteiro maior que 1 que não é primo.
Existem infinitos números primos, e isso foi provado por Euclides ha mais de 2000 anos atrás. Os 10 primeiros números primos são 2, 3, 5, 7, 11, 13, 17, 19, 23 e 29. O número 1 não é nem primo nem composto, e se n é um interiro positivo qualquer ou n é primo, ou é composto, ou n = 1.


O número 2 é o único inteiro par que é primo.


A seguir temos alguns teoremas básicos sobre números primos:


Teorema. Se um primo p não divide um inteiro n, então mdc(p, n) = 1, isto é, p e n são primos entre si.


Proposição. Se um número primo p divide um produto ab então p divide a ou p divide b.
Teorema. Se um número primo p divide um produto de vários fatores, então p divide algum dos fatores.
Teorema. Todo número composto n possui algum divisor primo menor ou igual a raiz quadrada de n.


Existem funções que geram os números primos.



Referências:
Edgard de Alencar Filho. Teoria Elementar dos Números. 3. ed. São Paulo: Nobel, 1989.
Paulo Ribenboim. The New Book of Prime Number Records. 3. ed. New York, Berlin, Heidelberg: Spriger-Verlag, 1995.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Educação Infantil




A Editora Moderna disponibiliza em seu site diversas atividades voltadas para alunos do Ensino Fundamental I de todas as matérias, inclusive claro, Matemática.

Abaixo seguem alguns links dessas atividades do Projeto Pitanguá

2º ano
3º ano
4º ano (1)
4º ano (2)
5º ano

Se você conhecer mais alguma editora que faça esse trabalho de suporte ao professor, envie-nos para que possamos divulgar.

Deixo bem claro que não há intenção de burlar direitos autorais e nem divulgar indevidamente conteúdos exclusivos. Além disso, não há qualquer tipo de pagamento por propagandas ou qualquer coisa do tipo. Este post é apenas para divulgação de material para professores interessados.

Um abraço

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Em homenagem ao Natal que se aproxima, eis uma bela árvore para seus alunos e professores.


1 x 8 + 1 = 9
12 x 8 + 2 = 98
123 x 8 + 3 = 987
1234 x 8 + 4 = 9876
12345 x 8 + 5 = 987 65
123456 x 8 + 6 = 987654
1234567 x 8 + 7 = 9876543
12345678 x 8 + 8 = 98765432
123456789 x 8 + 9 = 987654321


1 x 9 + 2 = 11
12 x 9 + 3 = 111
123 x 9 + 4 = 1111
1234 x 9 + 5 = 11111
12345 x 9 + 6 = 111111
123456 x 9 + 7 = 1111111
1234567 x 9 + 8 = 11111111
12345678 x 9 + 9 = 111111111
123456789 x 9 +10= 1111111111


9 x 9 + 7 = 88
98 x 9 + 6 = 888
987 x 9 + 5 = 8888
9876 x 9 + 4 = 88888
98765 x 9 + 3 = 888888
987654 x 9 + 2 = 8888888
9876543 x 9 + 1 = 88888888
98765432 x 9 + 0 = 888888888


1 x 1 = 1
11 x 11 = 121
111 x 111 = 12321
1111 x 1111 = 1234321
11111 x 11111 = 123454321
111111 x 111111 = 12345654321
1111111 x 1111111 = 1234567654321
11111111 x 11111111 = 123456787654321
111111111 x 111111111 = 12345678987654321


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Um abraço


quinta-feira, 12 de novembro de 2009

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

PITÁGORAS

Uma tripla pitagórica é uma terna de números inteiros que satisfaz a relação de Pitágoras. Por exemplo (3 ; 4 ; 5) é uma tripla pitagórica porque 32 + 42 = 52. Existe um triângulo retângulo de lados 3, 4 e 5.



Uma tripla pitagórica gera infinitas triplas derivadas. Por exemplo a partir da tripla (3 ; 4 ; 5) pode-se ter (6 ; 8; 10), confira porque 62 + 82 = 102, o triângulo de lados 6, 8 e 10 é retângulo.



Multiplicando os números da tripla por 14 obtém-se (42 ; 56 ; 70) que é uma tripla pitagórica derivada.


Verifique que (7; 24 ; 25) é uma tripla pitagórica e descubra outra tripla derivada em que apareça o número 42.




Não existe uma tripla pitagórica primitiva com o número 42.



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Um abraço :)

 


quarta-feira, 28 de outubro de 2009

CONCLUSÃO


 
Através desse trabalho, pudemos vivenciar a evolução de um pensamento. A caminhada de uma idéia desde a sua percepção como uma necessidade para um ajuste num sistema criado para descrever as quantidades até sua formalização como algarismo. Certamente, o zero como elemento de contagem nunca seria percebido. Contudo, o aumento da complexidade das necessidades do cotidiano do ser humano acabou por abrir as portas para seu aparecimento.

Suas propriedades, temidas por nossos antigos, se mostraram importantíssimas, pois sem elas, jamais teríamos chegado à indeterminação e, conseqüentemente, nunca teríamos construído o cálculo tão necessário nos dias de hoje para inúmeras carreiras.

Portanto, com essa monografia, podemos exaltar o valor que realmente o zero tem. Afinal, por que buscamos a história do zero? Por que ele causou tantos problemas? Por que o número 2 não causou tantos embaraços? Por que nenhum outro número causou tantos desconfortos? Por que o zero?

Essas perguntas baseadas em nosso trabalho só demonstram sua real importância.

Esta foi a história do número zero. Acredito que muitos não sabiam a verdadeira saga pela qual o número passou. Foi uma luta, mas hoje sua utilização é fundamental.

Esta foi uma contribuição da Casa da Matemática para o ensino e divulgação da História da Matemática.

Se você gostou da história, dê sua opinião logo aqui embaixo.

Um abraço e até a próxima postagem.

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sexta-feira, 23 de outubro de 2009

CAPÍTULO 5


O TRIUNFO DO ZERO






A rejeição do zero pelo cristianismo foi breve. Leonardo de pisa, mais conhecido como Fibonacci, era filho de um comerciante italiano. Viajou pelo Norte da África. Aprendeu matemática com os muçulmanos e, rapidamente, se tornou um bom matemático. Foi esse o homem responsável pela reintrodução do zero no ocidente.


Fibonacci é mais conhecido por um pequeno problema que expôs no seu livro Liber Abaci, publicado em 1202. Eis o problema: Imaginemos que um agricultor tenha um par de coelhos bebês. Os coelhos demoram 2 meses para atingir a maturidade e partir daí geram outro par de coelhos no início de cada mês. A medida que esses coelhos atingem a maturidade e se reproduzem e esses outros coelhos atingem a maturidade e se reproduzem e assim sucessivamente, quantos pares de coelhos teremos num determinado mês?


O problema, então, se desenvolve da seguinte forma: no 1º mês, há um par de coelhos que não se reproduzem por não terem atingido a maturidade.


No 2º mês, ainda temos um par pelo mesmo motivo do 1º mês.


No início do terceiro mês, esse par de coelhos se reproduz: temos 2 pares.


No 4º mês, o primeiro par de coelhos se reproduz novamente, mas o segundo par ainda não atingiu a maturidade: estamos com 3 pares.


No quinto mês, o primeiro par se reproduz de novo e o 2º também, mas o 3º ainda não atingiu a maturidade: estamos com 5 pares de coelhos.


Assim por diante, o número de pares de coelhos se desenvolve desta forma: 1, 1, 2, 3, 5, 8, 13, 21, 34, 55, ..... O número de pares coelhos que temos num determinado mês é a soma da quantidade de pares que tínhamos nos dois meses anteriores.


Rapidamente, os matemáticos perceberam algo nesta série. O considerar qualquer termo dividido pelo anterior, como por exemplo 8/5 = 1,6; 13/8 = 1,625; 21/13 = 1,61538....; notaram que essas frações se aproximam de um número muito interessante: a razão de ouro (1,61803....).


Pitágoras havia percebido que a natureza parecia ser governada pela razão de ouro e Fibonacci descobriu a sequência que é responsável por esse número. Isso é até os dias de hoje o motivo de sua fama.


Apesar disso, seu livro Liber Abaci tinha um objetivo mais importante do que cuidar da criação de animais. Como Fibonacci aprendera matemática com os muçulmanos, os números árabes estavam presentes em seu conhecimento, juntamente com o zero. Ao incluir o novo sistema em seu livro, acabou, finalmente, introduzindo o zero na Europa. O livro mostrava como os números árabes eram úteis para fazer cálculos complicados, o que despertou o interesse de mercadores e banqueiros italianos. Rapidamente, incorporaram esse novo sistema, com o zero incluído. Afinal, antes dos números árabes chegarem, os caixeiros utilizavam o ábaco ou um quadro de contas, chamado pelos alemães de Rechenbank, razão pela qual chamamos bancos a quem nos empresta dinheiro.


No entanto, os governos locais não viam com bons olhos os números árabes, apesar de sua grande aceitação por parte dos comerciantes. Em 1299, Florença aboliu os números árabes. A razão invocada era a de que esse números poderiam ser facilmente alterados (por exemplo o 0, zero, poderia se transformar em 6 num simples esbarrar de lápis). Mas, as vantagens do zero e dos outros números árabes não poderiam ser descartadas; os mercadores continuaram a usá-los, sobretudo para mandarem mensagens codificadas.


Mediante tal pressão, os governos tiveram que ceder. A notação árabe foi autorizada na Itália e rapidamente se espalhou pela Europa. O zero chegara, tal como o vazio.


A muralha aristotélica estava a desagregar-se graças às influências árabes e hindus e no século XV, mesmo os mais leais defensores do aristotelismos já tinha suas dúvidas. Todavia, a batalha contra Aristóteles estava longe de ser terminada. Se Aristóteles caía, vinha junto a demonstração de Deus – um baluarte da Igreja. Então, uma nova demonstração era necessária.


E ainda, se o universo é infinito, então não existe um centro. Logo, como pode a Terra ser o centro do Universo?


René Descartes, nascido em 1596, no centro de Roma, foi educado como jesuíta. Trouxe o zero para o centro da linha numérica e procuraria uma demonstração de Deus no vazio e no infinito, mesmo não rejeitando completamente Aristóteles. Descartes, matemático-filósofo cujo legado mais famoso fora sua invenção matemática daquilo que hoje chamamos coordenadas cartesianas, tinha medo do vazio. Por esse motivo, negou sua existência.


Descartes demonstrou a existência de Deus argumentando que nada em absoluto pode se originar do nada. Isto é, todas as idéias já existem no cérebro das pessoas quando nascem. Aprender é apenas o processo de descobrir o código de leis, sobre o funcionamento do universo, previamente impresso. Uma vez que o conceito de algo infinitamente perfeito estava presente nas nossas mentes, esse algo deve existir – Deus. Todos o seres não chegam a ser divinos: são finitos. Todos se situam entre Deus e o nada. Uma combinação de infinito e vazio.


Certamente essa foi uma das demonstrações da existência de Deus feita por matemáticos da época. Diversos outros tentaram argumentando cada qual da sua maneira. Pascal com a teoria das probabilidades, Leibniz com os números binários, Guido Grandi, um sacerdote italiano, com séries de infinitos zeros, e diversos outros mais.


No tocante ao universo, as teorias que unificaram a mecânica quântica e a relatividade geral, que descrevem o centro dos buracos negros e explicam a singularidade do Big Bang estão tão longe da experiência que pode ser impossível determinar quais estão corretas e quais não estão. Os argumentos de cosmólogos e teólogos de cordas pode ser matematicamente precisos e ao mesmo tempo ser tão inúteis quanto a filosofia de Pitágoras. As suas teorias matemáticas podem ser belas e consistentes, podem parecer explicar a natureza do universo, e estar absolutamente erradas.


Os cientistas, hoje, apenas sabem que o cosmos brotou do nada e retornará ao nada donde veio. O universo começa e acaba com o zero.

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domingo, 18 de outubro de 2009

CAPÍTULO 4 - O ZERO NO ORIENTE


Na última vez que vimos o zero no Oriente, era apenas um “marca-lugar”. Um espaço em branco no sistema de numeração babilônico. Sua utilidade era inegável, embora ainda sem um valor numérico por si próprio. O zero só ganhava significado quando havia dígitos à sua esquerda. Em outras palavras, o símbolo do zero não significava nada por si próprio. Porém, foi na Índia que tudo mudou.


No século IV a.C., Alexandre magno, marchou com suas tropas da babilônia até a Índia, provavelmente levando o zero consigo. Através desta invasão, matemáticos indianos tiveram contato pela primeira vez com o sistema numérico babilônico e, conseqüentemente, com o zero.


Após a morte de Alexandre Magno, em 323 a.C., os seus desordeiros generais dividiram o império em pedaços. Como resultado, a Índia ficou isolada da ascensão do cristianismo e da queda de Roma. Além disso, também ficou isolada da filosofia aristotélica. Na verdade, Alexandre foi ensinado por Aristóteles e também, certamente, introduziu as idéias aristotélicas na Índia. Contudo, estas não vingaram, e por uma razão particular que diferenciava a Índia da Grécia: a aceitação do vazio e do infinito.


O vazio tinha um valor importante na religião hindu. Como muitas religiões orientais, o Hinduísmo estava inserido em simbologias de dualidades. Tal como o Yin Yang do Extremo Oriente, a criação e a destruição estavam misturadas no Hinduísmo. O Deus Xiva, que era tanto criador quanto destruidor do mundo, era representado com o tambor da criação numa mão e a chama da destruição na outra. No entanto, Xiva também representava o nada. Um aspecto da divindade Nishkala Shiva era literalmente Xiva “sem partes”. Era o supremo nada a falta de vida encarnada. Mas a partir do vazio nasceu o universo, assim como o infinito. O cosmos hindu era infinito em expansão; havia inumeráveis outros universos. A própria doutrina hinduísta pregava o início da vida a partir do nada e o fim de tudo voltando para o nada.


Portanto, a Índia, como uma sociedade que explorava ativamente o vazio e o infinito, aceitou o zero.


Um texto indiano datado do mesmo ano da queda de Roma – 476 a.C. – mostra a influência da matemática grega, egípcia e babilônica na Índia, trazida por Alexandre. Como os egípcios, os indianos tinham “esticadores de corda” para planear templos e inspecionar terrenos. Tal como os gregos, possuíam um complicado sistema de astronomia. Tentaram até calcular a distância ao Sol, o que requeria trigonometria, cuja versão indiana provavelmente derivou do sistema que os gregos haviam desenvolvido.


Por volta do século V d.C., os matemáticos indianos alteraram o seu estilo de numeração mudando de um sistema estilo grego, para outro do estilo babilônico. Porém, os indianos não copiaram o sistema babilônico, pois havia uma grande diferença entre ambos: o sistema indiano era de base 10 enquanto que o babilônico era de base 60. Nosso números desenvolveram-se a partir dos símbolos usados pelos indianos. Não se sabe ao certo o momento exato que os indianos fizeram a troca para um sistema posicional do estilo babilônico. De qualquer forma, já pelo século IX, estava, certamente, em uso um símbolo para o zero – o “marca-lugar” do sistema decimal.


Os indianos nunca se apropriaram da geometria grega. Nunca se preocuparam em saber se a diagonal do quadrado é racional ou irracional e nem investigaram as secções cônicas, como o tinha feito Arquimedes. Mas aprenderam a brincar com os números.


O sistema indiano de numeração permitia-lhes usar estratégias para adicionar, subtrair, multiplicar e dividir números sem o uso do ábaco. Graças ao sistema posicional, conseguiram somar e subtrair números grandes similarmente ao jeito que realizamos atualmente. Com treino, era possível multiplicar números mais velozmente que um abacista conseguia calcular. Até concursos entre algoristas e abacistas se tornaram um grande desafio, onde, no final, os algoristas sempre ganhavam.


Contudo, o grande salto do sistema indiano não foi a bela capacidade e utilidade de fazer adições e multiplicações. A grande diferença estava na distinção entre números e geometria. O contrário do gregos, os indianos não viam quadrados em números quadrados e nem áreas de retângulos ao se multiplicar dois números. Em vez disso, viam o jogo recíproco dos algarismos que não mais traziam consigo um significado geométrico. Isto foi o nascimento daquilo que hoje chamamos de álgebra.


Esta atitude acabou impedindo que os indianos dessem uma contribuição importante para a geometria, mas isso permitiu-lhes libertar-se das deficiências do pensamento grego e da sua rejeição do zero.


Uma vez que o significado geométrico foi afastado dos algarismos, os matemáticos só tinham que se preocupar com as operações matemáticas fazerem sentido também para a geometria. Afinal, para os antigos gregos, 2 – 3 = -1 não fazia o menor sentido, já que não tem cabimento tirar 3 hectares de um terreno de apenas 2 hectares.


Já para os indianos, os números negativos tinham sentido. De fato, foi na Índia (e na China) que os números negativos apareceram primeiro.; Bramagupta, matemático indiano do século VII, ditou regras para dividir números uns pelos outros, incluindo os negativos. “Positivo a dividir por positivo e negativo por negativo, é afirmativo.”; ”Positivo a dividir por negativo é negativo.”. Regras que conhecemos hoje.


Tal como 2 – 3 = -1 era um número que fazia sentido, 2 – 2 = 0 também fazia sentido. Não só mais como um “marca-lugar” ou uma representação de um espaço vazio no ábaco mas fazia sentido como número; o número zero. Número que tinha seu valor específico e lugar fixo na linha numérica. Uma vez que o zero era igual a (2 – 2), então tinha de vir anteriormente a (2 – 1) e posteriormente a (2 – 3). o zero não poderia mais vir depois do 9, tal como vemos nos teclados de computador. O zero tinha sua posição na linha numérica e, sem ele, esta linha não poderia existir, tal como um sistema sem o 2, por exemplo. O zero finalmente chegara.


No entanto, os indianos achavam que o zero era um número muito bizarro. Afinal, zero multiplicado por qualquer número é zero e qualquer número dividido por zero joga tudo pelos ares. Bramagupta tentou calcular quanto era 0÷0 e 1 ÷ 0, e escreveu que 0 ÷ 0 = 0 e que 1 ÷ 0 era, bem...., algo que não se sabe ao certo porque não faz o menor sentido.


O erro de Bramagupta não perdurou por muito tempo. Os indianos logo perceberam que 1 ÷ 0 era infinito. O matemático indiano no século XII, Bháskara escreveu: “esta fração cujo denominador é zero, é designada por uma quantidade infinita.”; “Ao adicionarmos um número a 1 ÷ 0 , não há qualquer alteração, embora possam ser extraídas ou inseridas muitas, tal como nenhuma alteração tem lugar no Deus infinito e imutável.”


Deus, portanto, foi encontrado no infinito, e no zero.


O zero era o emblema dos novos ensinamentos, da rejeição de Aristóteles e da aceitação do vazio e do infinito. Por todo o mundo, sob o domínio muçulmano, o zero difundia-se à medida que o Islão se expandia, conflitando por todo o lado com a doutrina aristotélica.


Os antigos judeus medievais, tanto na Espanha quanto na Babilônia estavam firmemente ligados à doutrina aristotélica, tal como seis companheiros cristãos. Todavia, da mesma forma que a filosofia aristotélica entrava em conflito com seus ensinamentos islâmicos, também entrava em conflito com a teologia judaica. Isto levou Maimónides, rabi do século XII, a escrever um tomo para reconciliar a Bíblia oriental e semita com a filosofia ocidental grega que permeava a Europa.


Maimónides aprendera com Aristóteles a demonstrar a existência de Deus negando o infinito, reproduzindo fielmente os argumento gregos. Essa demonstração da existência de Deus era algo de grande valor em qualquer teologia. Ao mesmo tempo, a Bíblia e outras tradições semitas estavam repletas de idéias do infinito e do vazio – idéias que os muçulmanos já entendiam. Tal como Santo Agostinho, 800 anos antes, Maimónides tentou reformular a Bíblia semita para se ajustar à doutrina grega: a doutrina que se apavorava com a idéia do vazio. Todavia, Maimónides, ao contrário dos outros cristãos, não estava disposto a helenizar completamente sua religião. A tradição do Rabi forçou-o a aceitar os relatos bíblicos acerca da criação do mundo a partir do vazio, o que, por sua vez, significava contradizer Aristóteles.


Maimónides argumentou que havia falhas na demonstração aristotélica de que o universo sempre existiu, pois entrava em conflito com as Escrituras. Isto significava recusar Aristóteles. Maimónides afirmou que o ato da criação veio do nada. Com isso, o vazio passou de sacrilégio a sagrado.


Em 1277, o bispo de Paris, Étienne Tempier, convocou uma assembléia de eruditos para discutir aristotelismo, ou melhor, para o atacar. A onipotência de Deus era o maior ponto, não a ser discutido, mas a ser relacionado com as idéias de Aristóteles. Tempier aboliu muitas das doutrinas que contradiziam a onipotência divina, tal como: “Deus não pode mover os céus em linha reta, pois deixaria para trás um vácuo”. (As esferas rotativas ao girarem, estariam ocupando o mesmo espaço. Para mover as esferas em linha reta, era necessário um espaço vazio para onde as esferas se dirigiriam e outro espaço vazio deixado por elas após se movimentarem). Deus, se quisesse, poderia mover os céus em linha reta, pois a divindade onipotente não era obrigada a seguir as regras aristotélicas.


Esse era o momento mais propício para o zero chegar ao ocidente. Em meados do século XII, algumas adaptações de publicações matemáticas árabes já caminhavam pela Espanha, Inglaterra e o resto da Europa. O zero estava a caminho e chegou exatamente no momento em que a Igreja quebrava algumas algemas do aristotelismo.